sábado, 29 de setembro de 2012

Sobre coisas, falta e a substituição


A gente procura por boas formas de se contentar: um cabelo novo; o resgate do que, um dia, lhe foi um hobby; ver televisão; tirar fotos... Enfim, qualquer coisa para deixar de sentir. É que o que lhe foi tirado não volta, não é substituível, é coisa determinada e certa; é infungível.
E você amava tanto aquilo que você se pergunta como viver com a falta que a coisa lhe faz. Como viver em um mundo onde lhe falta tudo: amizade, amor, carinho, confidência... Enfim.
Aí você percebe que não tem danos morais e nem materiais cabíveis; que o seu direito não foi tutelado pelo Estado. Você percebe que não tem como: você vai ter que se acostumar; vai ter que viver sim, mesmo que caiba um Jeep dentro daquele rombo no seu coração, mesmo com a injustiça que lhe foi feita.
Aí é a pior fase: essa é a fase que você tem que fingir – para você mesmo, principalmente – que aquilo nem lhe faz tanta falta; que era tudo apenas a ilusão da propriedade privada e que você deveria acatar as ideias Marxistas e viver em um mundo coletivo, onde tudo é de todos e nada é de ninguém.
Você se convence por algum tempo, você se sente feliz por algum tempo, mas tem horas que a falta fala mais alto e você precisa urgentemente chorar a falta novamente.
Tudo isso até o dia em que você, quando menos espera, encontra um substituto para a coisa que lhe falta e até ela ir embora novamente.
Estaria tudo muito bom se eu estivesse falando de coisas, mas não estou. Estou falando de pessoas e dessa sociedade contemporânea que troca tudo e todos como coisas. Nesse mundo em que uma pessoa que lhe é importante, dois meses depois já não é. Da substitutividade absurda, dessa sociedade líquida – como dizia o bom e velho Bauman – que substitui, que abandona, que trata tudo e todos como coisas passíveis de substituição.

2 comentários:

Raphael Trew disse...

A incompreendido amor, que inconsolado vagueia pelo vale das lágrimas, tentando entender o porquê de tantas palavras, que se tona mais profundo e distante a medida que tento entender o que sentes por mim.

Nada preenche melhor nosso vale do que palavras certas.

Raphael Trew disse...

Sincera mente, nao entendi algumas partes, mais nao se deve tentar entender o que é jogado para fora, pois só quem as escreve, pode entender, ou tenta compreender o que o coração transformou em palavras e frases, muitas vezes doloridas de serem ligas, pois nao sabíamos que tínhamos estas palavras dentro de nos.

Foi a época de alegria com a chegada dos olhos vermelhos,o real significado traz alegria ao coração, mais o tempo passou coisa e pessoas mudaram,nao posso mais ter o que tinha, nao temos como voltar, a vida passa muito rápido.

Nao deixe o tempo tirar de vc o que realmente é valioso.
Nao deixe pessoas estranhas roubarem o que vc levou tempo para cultivar e agora está colhendo.

Muitas vezes ficar dentro, doe muito mais do que estar la fora, mais doe mais perder o que está dentro, o que realmente vale apenas ficar perto.