domingo, 22 de agosto de 2010

Olhos mestiços

Eu andava naquela tarde quente e ensolarada, andava naquela praia conhecida que havia se popularizado com o tempo. Eu havia crescido ali, eu pertencia àquele lugar. O vento melhorava a sensação térmica daquele calor praticamente insuportável e fazia com que o meu vestido esvoaçasse, dançando à mercê do vento.

Eu olhava rapidamente para aqueles rostos desconhecidos. Turistas, realmente típico no verão, não? Mas eu tinha meu iPod, então tudo que eu via era uma cena agradável ao som da música que ia tocando aleatoriamente.

E rapidamente, sem aviso prévio ou esperar, eu o vi. Aquele rosto, aquele que aparecia em meus sonhos. Aqueles olhos que me faziam delirar, eu desejava tão arduamente vê-lo de novo, tocá-lo de novo. Seria uma miragem? Era isso apenas resultado da água de coco com vodka? Não pude evitar, o sorriso apareceu em meu rosto instantaneamente, era assim encontrar quem você mais queria ver coincidentemente?

E ao mesmo tempo em que eu constatava a realidade dos fatos, ao mesmo tempo que meu coração voltava a bater rapidamente, ele me viu. Ele sorriu, sorriu como havia sorrido há menos de um ano quando nos encontramos naquela cidade encantadoramente pequena. E eu lembrei de como era me sentir viva de novo.

Corri para os seus braços fortes, desejando mais uma vez, que a distância entre nós não existisse. Corri sem pensar em nada, corri ouvindo a música que vinha do meu coração, corri para aqueles lindos olhos mestiços...

Um comentário:

Raphael Trew disse...

Corre ao desconhecido, pois não sabes o que o tempo mudou, trouxe e tirou destes olhos que um dia já foram apenas seus.
Corre na direção da esperança de viver um passado que já se transformara em sonho.
Corre rumo a liberdade, pois a esperança a manteve aprisionada em si-mesma, mantendo guardado seu coração o preservando de outro amores.
Corre em meio a angustia de passos eternos que demoram a chegar a um olhar mestiço, que guarda na escuridão a felicidade de seu coração.
Corre com força, corre com as forças de sua esperança, corre com o desejo de que o tempo que passou se transforme em apenas um lembrança que suma em seus braços.
Corre, em direção a um olhar que ofusca o sol e tudo mais a sua volta as transformando em cinzas sem mais importância, sem desejar mais nada alem da escuridão de seus olhos mestiços.
Corre, pois a liberdade se torna presente e a felicidade se coloca a sua frente em uma linda moldura em forma de homem.
Corre rumo a um passado que talvez só exista em seu coração e a realidade pode destruir o pouco de vida que ainda resta em ti.