sexta-feira, 5 de março de 2010

O mar...

Acordei sozinha naquele apartamento triste e solitário. Ao longe eu podia ver o mar verde água me chamando. Convidando-me a lavar minhas lagrimas de uma vez por todas.

Vesti-me rapidamente com um vestido branco e cumprido, e me dirigi à praia. Eu morara ali, naquela mesma cidade, com a mesma vista para aquele mesmo mar por tantos anos, que ao chegar naquela praia - que há tanto eu não visitava- eu senti como se estivesse reencontrando um velho amigo de infância. Era ali, tinha que ser ali. Se o meu fim não fosse naquela solitária e conhecida praia não seria em lugar nenhum.
Aos poucos fui molhando meus pés descalços na água salgada e gelada. Fui me esquecendo daquele frio congelante e pensando no que estava prestes a fazer. Era agora, era para sempre. Pelo menos nesse pra sempre eu poderia confiar.
Olhei para noite claramente iluminada pela lua. Olhei para o céu estrelado que há tanto me havia inspirado e me feito pensar. Não, as estrelas não seriam um motivo para desistir. Não seriam mesmo.
Do outro lado da praia eu via a água batendo nas rochas com violência e força. Em poucos minutos eu estaria imersa naquela violência e faminta. Continuei minha caminhada lenta e fúnebre em direção ao mar verde e salgado.

Continuei andando e me lembrando. Pensando. O que me faria
parar agora? Nada! Eu estava decidida. Pingos salgados de lagrimas minhas se juntaram ao mar salgado. De agora em diante o mar seria meu o meu espelho. Caminhei mais rápido e de encontro a uma onda raivosa que se aproximava.
Aos poucos senti o ar sair dos meus pulmões e as minhas artérias doerem com o sal do meu carrasco. Era assim mesmo que eu esperava que fosse. Eu ouvia um milhão de vozes naquela praia vazia, como se as estrelas me mandassem continuar, me mandassem aguentar firme, pois o fim era assim mesmo, e só dessa maneira eu dividira o céu com elas no final de tudo. Eu sabia disso.
Afundei e fui puxada para baixo, perdendo, durante o percurso a minha visão do mundo lá fora, do céu e das estrelas que, tristes, esperavam eu me juntar a elas.
E o mar, com sua ânsia incontrolável de dominar e destruir, levou-me para suas profundezas sozinhas e gigantescas. Levou minhas dores, meus sentidos e minhas virtudes. Levou todo meu ar, todos os meus sonhos e pesadelos. E isso era mais do que suficiente para me sentir, como há muito não me sentia, alegre.

6 comentários:

Sempre em busca... disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Sempre em busca... disse...

Amei o texto, muito envolvente, parabéns, estou te seguindo. Bjo :)

. disse...

Nossa *o*
MUITO bom o texto, adorei mesmo :DD
Te dei um selo de qualidade, entre no meu blog, pegue siga as regras! :D

MAYAH disse...

Acabei de conhecer seu blog, ainda não deu tempo de ler tudo, mas gostei do tudo que li até agora. Vou voltar sempre :D Boa sorte.

Zaca disse...

nossa amiga... muito lindo cara... lindo e nostálgico... me arrepiei toooda! :X

Unknown disse...

Nossa, adorei o texto, juro q me deu um calafrio no fim quando fala, que ela (vc) ficou ALEGRE, de morrer! hehe

Gostei bastante!!
Um beijo

(texto lido, como prometido!)