Os primeiros raios de sol adentravam pela janela. E ele continuava ali, sentado em silencio na velha poltrona de couro marrom. Ele não havia dormido a noite toda. Tampouco havia saído daquela poltrona ou se alimentado. Ele só pensava, em silencio. Se não fosse por alguns breves e quase imperceptíveis acenos de cabeça.
Durante toda noite nenhuma lagrima havia caído daquele rosto marcado pelo tempo. Era como se ele estivesse em estado de choque, esperando. Mas por dentro, seu coração estava em desespero. Você já se sentiu perdido? Talvez você possa entender...
A voz naquele telefonema ainda assombrava a sua alma. Aquela voz marcada pelo choro recente e desesperada. Aquele tremor seguido pelo frio intenso que percorreu o corpo dele ao saber que ela se foi, para sempre... Em alguns segundos ele viu a vida passar por seus olhos. Tudo que eles tinham vivido. Tudo que eles poderiam ter vivido. Tudo que não viveram...
Ele se lembrou dos dois sentados no gramado aos 13 anos, de todas as promessas e risos. E de todas as lágrimas que foram derramadas por motivos que na época pareciam tão densos, mas ao crescer eles perceberam que não era tão complicado. Todos os encontros e desencontros da vida deles. De todas as noites que ele tivera a certeza que almas gêmeas existiam.
Mas o destino não tinha sido tão bom assim para os dois. Os caminhos se desencontraram, e ela sempre foi o amor da vida dele. Mas a vida não pode parar, não pode. E ambos seguiram em frente, mesmo sentindo o amor mais puro que se é possível sentir.
A garota do telefone era a filha dela, era a filha do amor da vida dele. Ela ligava, desesperada, para lhe dizer que a mãe, tão amada, tinha morrido em um acidente de carro. E, ao pegar o diário da mãe, ela descobriu que o amor da vida da própria mãe não era seu falecido pai, e sim o amigo de infância que ela só conhecia por fotos.
As vezes o destino é tão mal e cruel, as vezes o medo de tentar e se machucar impede tantas coisas de acontecerem, tantas palavras de serem ditas. E dentro daquela cabeça, daquele coração, ele sentiu um nó sendo feito. Uma tristeza percorrendo suas veias.
Dizem que é impossível morrer de tristeza, de amor. Mas aos poucos, aquele não mais tão jovem garoto sentiu a respiração acelerar, juntamente com seus batimentos cardíacos; sentiu as pontas dos dedos formigarem e a vista se embaçar. E ouviu aquela tão suave e infantil voz repetir em seu ouvido “Eu só quero que você saiba que eu vou te amar pra sempre”. A dor passou...
Um comentário:
Aaah, meu deus! que bonito tais!
emocionei, ahahaha.
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